Onde pendurar um retrato de um animal de estimação sem que pareça sentimental
Aquilo com que as pessoas se preocupam — discretamente, antes de encomendarem um — é que o retrato do seu animal de estimação pareça sentimental. Como um altar. Como se a sala tivesse sido decorada por alguém que vive sozinho com demasiados gatos. (Todos conhecemos essa sala.)
A resposta está na localização, mais do que em qualquer outra coisa. A mesma pintura, pendurada no sítio certo, é vista como decoração; pendurada no sítio errado, parece um altar. Três locais funcionam especialmente bem.
Por cima do sofá, mas descentrado
O gesto automático é centrar o retrato por cima do encosto do sofá. Essa é a opção mais sentimental — a sala fica agora organizada em torno do animal. Melhor: pendure-o mais para um dos lados, de modo a que fique em diálogo com um candeeiro, uma estante, outra peça de arte. O retrato faz parte da sala, não é o seu ponto focal.
Num corredor
Os corredores são indulgentes — são espaços de passagem, não de permanência. Tudo o que ali se pendura é visto de relance, nunca fixamente. Um retrato de um animal num corredor soa a uma nota pessoal: alguém vive aqui, tem um cão ou um gato, este é o aspeto do seu animal. Não ostenta emoção porque não nos sentamos diante dele.
Bónus: os corredores costumam ter menos arte concorrente, por isso o retrato pode ocupar a parede sozinho, sem ter de competir com uma galeria de fotografias de férias.
Ao lado da chaleira, ao lado do lava-loiça
A cozinha é o segundo espaço mais tolerante. As paredes da cozinha têm normalmente objetos avulsos — um calendário, uma pequena prateleira de canecas, um desenho de uma criança —, por isso acrescentar uma pequena tela com o retrato do animal encaixa. Transmite «esta é a nossa vida», e não «isto é um memorial».
O que evitar
Não o centre por cima da lareira. Esse é o lugar para o objeto mais importante da sala, e pedir a um retrato de um animal que suporte esse peso empurra-o para o território do altar.
Não o centre por cima da cama. A mesma lógica.
Não o pendure numa grelha perfeitamente espaçada de três retratos idênticos do animal. (Quem o fez sabe do que falamos.)
Um teste simples
Se um amigo entrar na divisão e disser imediatamente “oh, é o seu cão?” — demasiado proeminente. Mude-o de sítio.
Se o mesmo amigo der por ele vinte minutos depois de começar uma conversa e disser “oh, adoro isto” — exatamente no ponto certo.